O agrônomo, extensionista e Professor, Décio Zampiér informa, que marimbondos são de grande valia no controle de pragas, porque são predadores de larvas e de pequenos insetos. Já as aranhas, com suas teias entranhadas no meio da plantação ajudam a controlar a broca do café, pior praga do produto. Vale lembrar que ela foi a responsável pela queda da produção de café no Brasil nas décadas de 1950 e 1960, trazendo grandes prejuízos.
Atualmente a propriedade produz 60 sacas de café beneficiadas por hectares. Em comparação à média nacional, que é de 15 sacas por hectare, os resultados obtidos por Décio são excelentes. O custo final é de R$95 por saca - média nacional é de R$190. Números tão positivos, segundo o produtor, são resultados do manejo de pragas e doenças e da origem e qualidade das mudas.
"O controle é feito ecologicamente, sem agrotóxicos. Isso diminui o custo em cerca de 90%. Busco o equilíbrio ambiental, e isso faz a diferença. Pragas e doenças elevam o custo de produção e contaminam o ambiente. Animais e o homem não são problemas na propriedade".
Na avaliação de Zampiér, o plantio do café tem potencial de expansão na região. O município está proximo do Espirito Santo, maior produtor de café conilon do País. Hoje a saca de 60kg do produto está cotada na bolsa de Vitória(ES) em R$220. O Estado do Rio produz anualmente 400 mil sacas de café, sendo 95% do tipo arábico e 5% conilon. Deste total, 90% vêm de Varre-Sai, Porciúncula, Bom Jesus do Itabapoana e Itaperuna.
22 Sacas por Hectare
"A produtividade média de Varre-Sai, Porciúncula e Bom Jesus do Itabapoana está em torno de 22 sacas por hectare. Na região, o predomínio é pelo tipo arábico, melhor adaptado a temperaturas mais frias", explica Décio Zampier.
De acordo com o produtor, Itaperuna tem temperatura, solo e volume de chuvas suficientes para atender as demandas de água da cultura. Dados que contam a história do município revelam que a região já foi nas décadas de 1920 a 1940 a maior produtora de café no Brasil. Hoje as lavouras do produto ocupam 30 hectares e são cultivadas por agricultores familiares", descata. Ao resultado comercialização da produção de palmito pupunha, mandioca, banana e mamão, em feiras e quitandas da cidade, soma-se a venda dos animais para corte, ajudando nos custos de manutenção da propriedade.
Fonte: Jornal Rio Rural |